Foto: Camila/GT de Formação A primeira formação de Direitos Humanos e Segurança Comunitária Indígena – “Ajurí de Conhecimento” representou ...
| Foto: Camila/GT de Formação |
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A formação foi resultado de uma articulação interinstitucional que envolveu o CR Alto Solimões/FUNAI, o CAIS Povos Indígenas – SENAD/MJ, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a Associação de Segurança Indígena Umariaçu – SEGUM, Jovens pesquisadores Magüta da Unicamp e UEA e a Secretaria Municipal dos Povos Originários de Tabatinga. Essa parceria permitiu a realização de uma proposta formativa integrada, com foco nos direitos humanos, nos direitos indígenas e na segurança comunitária.
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O encontro teve como principal objetivo fortalecer a atuação dos guardas territoriais indígenas e das lideranças comunitárias, promovendo conhecimentos sobre acesso à justiça, políticas públicas e estratégias de proteção territorial. A proposta partiu de um olhar intercultural, reconhecendo a organização social e a cosmovisão do povo Ticuna/Magüta como base para a construção das ações formativas.
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Durante os três dias de atividades, foram realizados diálogos com instituições de segurança pública, justiça e proteção social, aproximando esses órgãos das realidades vividas nos territórios indígenas. Essa aproximação foi fundamental para promover a escuta das demandas comunitárias e construir caminhos mais acessíveis para a garantia de direitos.
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A formação também possibilitou a apresentação das competências das instituições, como polícia, defensorias e órgãos de justiça, como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública Municipal / Guarda Municipal, Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública do Estado (DPE), Defensoria Pública da União (DPU), Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Justiça Federal no Amazonas (JFAM) e outros, permitindo que as comunidades compreendessem melhor os canais de denúncia e os mecanismos de proteção disponíveis. Ao mesmo tempo, esse contato direto contribuiu para reduzir distâncias institucionais e fortalecer a confiança entre as comunidades e os órgãos públicos.
Outro aspecto importante foi o reconhecimento das estratégias próprias de segurança comunitária desenvolvidas pelos povos indígenas. As experiências dos guardas territoriais, baseadas na organização coletiva, na mediação de conflitos e no cuidado com o território, foram valorizadas como práticas legítimas e eficazes de proteção.
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Nesse sentido, a formação destacou que a segurança nos territórios indígenas não deve ser entendida apenas como ação repressiva, mas como um processo coletivo de cuidado, diálogo e proteção do bem viver. As discussões evidenciaram que as instituições podem aprender com os povos indígenas outras formas de garantir a segurança, respeitando as culturas, os saberes e as formas próprias de organização social.
A atividade também promoveu oficinas participativas, estudos de caso e construção de materiais educativos, fortalecendo o protagonismo dos participantes no processo formativo. Essas metodologias permitiram que os conhecimentos fossem compartilhados de forma prática, respeitando os contextos culturais e as experiências locais.
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Outro resultado relevante foi o início da construção de uma Rede de Segurança nas Comunidades Indígenas, envolvendo guardas territoriais, lideranças e instituições públicas. Essa rede busca fortalecer a articulação entre os diferentes atores, ampliando o acesso à justiça e promovendo estratégias conjuntas de proteção comunitária.
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A formação também contribuiu para o diálogo intercultural entre as instituições e as comunidades, permitindo que os órgãos de segurança e justiça conhecessem melhor as realidades, desafios e formas de organização dos territórios indígenas. Esse processo é fundamental para a construção de políticas públicas mais adequadas e respeitosas.
Além disso, a atividade marcou o início de um ciclo formativo mais amplo, com outras etapas previstas nas comunidades, incluindo acompanhamento técnico, formação continuada e consolidação das estratégias de segurança comunitária indígena.
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Assim, a primeira formação “Ajurí de Conhecimento” se consolida como um passo importante na construção de uma segurança indígena baseada no diálogo, no respeito aos direitos humanos e na valorização dos saberes tradicionais. A continuidade das etapas formativas deverá fortalecer ainda mais a autonomia das comunidades e a articulação com as instituições, contribuindo para a proteção dos territórios e o bem viver dos povos indígenas.
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