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Oficina de Prevenção às Violências, Redução de Danos e Bem Viver fortalece juventude Ticuna em Umariaçu II

Por redação  Tchurucü Mẽpe   Credito:  La Magüta Native No dia 01 de maio de 2026, a comunidade indígena Umariaçu II, localizada na Terra I...

Por redação Tchurucü Mẽpe 

Credito: La Magüta Native

No dia 01 de maio de 2026, a comunidade indígena Umariaçu II, localizada na Terra Indígena Ticuna, no município de Tabatinga (AM), foi palco de uma importante ação coletiva voltada à promoção da saúde, prevenção de violências e fortalecimento do Bem Viver entre a juventude do povo Magüta. A atividade integrou a realização da Oficina de Prevenção às Violências no Uso de Substâncias e Redução de Danos, promovida pelo Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social para Povos Indígenas nas Políticas sobre Drogas – CAIS Povos Indígenas de Tabatinga, em articulação direta com jovens lideranças e a comissão organizadora do II Festival de Competição de Dança Magüta Too’ena.

A ação ocorreu ao longo de todo o dia, com programação dividida entre manhã e tarde, reunindo práticas educativas, rodas de diálogo, metodologias participativas e atividades esportivas, com destaque para o envolvimento ativo da juventude Ticuna. Conforme o planejamento institucional da oficina, o objetivo central foi sensibilizar os jovens sobre os impactos do uso de álcool e outras substâncias, promovendo o cuidado consigo, com o outro e com o território, ao mesmo tempo em que se fortalece o pensamento crítico, o diálogo comunitário e a valorização cultural .

Desde as primeiras horas do dia, a comunidade foi mobilizada para participar das atividades formativas. A oficina temática abordou questões fundamentais relacionadas à prevenção ampliada, incluindo debates sobre identidade cultural, proteção do corpo, relações sociais e enfrentamento das violências cotidianas. As metodologias adotadas priorizaram a escuta ativa, a construção coletiva do conhecimento e o protagonismo juvenil, respeitando os modos próprios de aprendizagem do povo Magüta.

Entre os conteúdos trabalhados, destacaram-se temas como os cuidados diários com o corpo, os efeitos do álcool e de outras drogas presentes no cotidiano da comunidade, bem como os riscos associados ao uso combinado de substâncias. Também foram discutidas as diferentes formas de violência, incluindo violências interpessoais, estruturais e de gênero, com ênfase na proteção de mulheres, meninas e pessoas LGBTQIA+, reconhecendo a diversidade e a necessidade de respeito dentro do território indígena .

A abordagem de Redução de Danos foi um dos pilares centrais da atividade, trazendo orientações práticas e contextualizadas à realidade local. Entre as recomendações construídas coletivamente, destacaram-se ações simples, porém fundamentais, como manter-se hidratado durante o consumo de bebidas alcoólicas, alimentar-se adequadamente, evitar o uso solitário de substâncias e não misturar diferentes tipos de drogas, além do fortalecimento das práticas de proteção espiritual, profundamente enraizadas na cultura Magüta . Essas orientações dialogam diretamente com os saberes ancestrais e reforçam a importância do cuidado integral – físico, mental, espiritual e coletivo.

Além das atividades formativas, a programação incluiu a realização de uma atividade coletiva de redução de danos por meio do esporte, com a promoção do Jogo de Vôlei Comunitário. A iniciativa reuniu equipes formadas por jovens dos grupos Aicüãgü, Arucüãgü, Magüta e Too’ena, promovendo integração, cooperação e fortalecimento dos vínculos comunitários. O esporte foi utilizado como ferramenta pedagógica e estratégica, contribuindo para a construção de alternativas saudáveis de convivência, lazer e expressão juvenil.

A articulação com o II Festival de Competição de Dança Magüta Too’ena também foi um elemento central da ação. A oficina foi realizada como etapa preparatória para o festival, fortalecendo a organização comunitária e ampliando o engajamento dos jovens nas atividades culturais. A dança, enquanto expressão identitária do povo Magüta, foi reafirmada como espaço de resistência, transmissão de conhecimentos e valorização das tradições.

A iniciativa demonstra a importância de políticas públicas territorializadas, construídas com participação indígena e sensíveis às especificidades culturais. O trabalho desenvolvido pelo CAIS Povos Indígenas evidencia um modelo de atuação baseado no respeito à autonomia dos povos, no diálogo intercultural e na integração entre saúde, cultura e direitos humanos. A presença da equipe técnica, composta por profissionais comprometidos com a realidade indígena, contribuiu para a construção de um ambiente seguro e acolhedor para o desenvolvimento das atividades .

No contexto do povo Magüta, onde as transformações sociais, o contato com diferentes influências externas e os desafios contemporâneos impactam diretamente a juventude, ações como esta se tornam fundamentais. Elas não apenas informam, mas fortalecem a capacidade comunitária de enfrentar problemas de forma coletiva, valorizando saberes tradicionais e promovendo caminhos próprios de cuidado e proteção.

A oficina também reafirma o conceito de Bem Viver como eixo estruturante das práticas desenvolvidas. Para o povo Magüta, viver bem está diretamente relacionado ao equilíbrio entre corpo, espírito, comunidade e natureza. Nesse sentido, a prevenção às violências e a redução de danos não se limitam a orientações técnicas, mas se inserem em uma visão mais ampla de vida, onde o cuidado é coletivo e contínuo.

Outro aspecto relevante foi o protagonismo da juventude, que não apenas participou das atividades, mas também atuou na organização e condução de momentos importantes da programação. Esse envolvimento fortalece a autonomia juvenil e contribui para a formação de novas lideranças comprometidas com o futuro do território.

A realização da oficina em Umariaçu II evidencia que o enfrentamento às problemáticas relacionadas ao uso de substâncias e às violências deve considerar as realidades locais, respeitando os modos de vida e os sistemas de conhecimento indígenas. Ao integrar cultura, esporte e educação, a ação constrói caminhos mais efetivos e sustentáveis para a promoção da saúde e da dignidade.

Por fim, a atividade consolida-se como uma experiência exitosa de articulação entre políticas públicas e iniciativas comunitárias, demonstrando que o fortalecimento das práticas de cuidado no território passa, necessariamente, pelo reconhecimento do protagonismo indígena e pela valorização das culturas tradicionais. A continuidade de ações como esta é essencial para garantir a proteção da juventude, a preservação cultural e a construção de futuros possíveis para o povo Magüta.

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